Três dias após derrotar Fernando Haddad (PT) na corrida ao Planalto, o presidente eleito Jair Bolsonaro anunciava no Twitter: "Comunico que o tenente-coronel e astronauta Marcos Pontes será indicado para o Ministério da Ciência e Tecnologia". No dia seguinte, na mesma plataforma, informou que iria transferir a "embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém" e, menos de 24 horas depois, desautorizou "informações prestadas junto à mídia por qualquer grupo intitulado 'equipe de Bolsonaro' especulando sobre os mais variados assuntos, tais como CPMF, previdência". Principal estratégia do candidato para vencer a eleição mais acirrada desde a redemocratização, a conversa direta, sem filtros nem intermediários, tinha continuidade. Agora, Bolsonaro limitava o acesso de veículos tradicionais de imprensa a coletivas, priorizando as redes sociais, exatamente como havia feito durante toda a campanha, durante parte da qual teve menos de dez segundos no tempo de televisão e rádio."Parte do eleitorado votou nele por ser um nome antissistema, e isso se reflete na comunicação, mas é inevitável que haja conflito com o Congresso", projeta o pesquisador. Para ele, o presidente eleito terá dificuldades caso superestime a fala nas redes e deixe de lado a interlocução com o Legislativo. "Sem diálogo, não há coalização", acrescenta Monte. "E isso exige compartilhamento de poder e de cargos. Ele não pode chamar o PP para ser aliado se não dividir espaços de poder. É assim que funciona." Segundo o analista, todavia, é possível que o próprio sistema passe por um rearranjo, já que, "pela primeira vez, um presidente foi eleito justamente por criticar esse modelo" (presidencialismo de coalização).segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Um presidente virtual: as estratégias de Bolsonaro no pós-eleição
Três dias após derrotar Fernando Haddad (PT) na corrida ao Planalto, o presidente eleito Jair Bolsonaro anunciava no Twitter: "Comunico que o tenente-coronel e astronauta Marcos Pontes será indicado para o Ministério da Ciência e Tecnologia". No dia seguinte, na mesma plataforma, informou que iria transferir a "embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém" e, menos de 24 horas depois, desautorizou "informações prestadas junto à mídia por qualquer grupo intitulado 'equipe de Bolsonaro' especulando sobre os mais variados assuntos, tais como CPMF, previdência". Principal estratégia do candidato para vencer a eleição mais acirrada desde a redemocratização, a conversa direta, sem filtros nem intermediários, tinha continuidade. Agora, Bolsonaro limitava o acesso de veículos tradicionais de imprensa a coletivas, priorizando as redes sociais, exatamente como havia feito durante toda a campanha, durante parte da qual teve menos de dez segundos no tempo de televisão e rádio."Parte do eleitorado votou nele por ser um nome antissistema, e isso se reflete na comunicação, mas é inevitável que haja conflito com o Congresso", projeta o pesquisador. Para ele, o presidente eleito terá dificuldades caso superestime a fala nas redes e deixe de lado a interlocução com o Legislativo. "Sem diálogo, não há coalização", acrescenta Monte. "E isso exige compartilhamento de poder e de cargos. Ele não pode chamar o PP para ser aliado se não dividir espaços de poder. É assim que funciona." Segundo o analista, todavia, é possível que o próprio sistema passe por um rearranjo, já que, "pela primeira vez, um presidente foi eleito justamente por criticar esse modelo" (presidencialismo de coalização).
Três dias após derrotar Fernando Haddad (PT) na corrida ao Planalto, o presidente eleito Jair Bolsonaro anunciava no Twitter: "Comunico que o tenente-coronel e astronauta Marcos Pontes será indicado para o Ministério da Ciência e Tecnologia". No dia seguinte, na mesma plataforma, informou que iria transferir a "embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém" e, menos de 24 horas depois, desautorizou "informações prestadas junto à mídia por qualquer grupo intitulado 'equipe de Bolsonaro' especulando sobre os mais variados assuntos, tais como CPMF, previdência". Principal estratégia do candidato para vencer a eleição mais acirrada desde a redemocratização, a conversa direta, sem filtros nem intermediários, tinha continuidade. Agora, Bolsonaro limitava o acesso de veículos tradicionais de imprensa a coletivas, priorizando as redes sociais, exatamente como havia feito durante toda a campanha, durante parte da qual teve menos de dez segundos no tempo de televisão e rádio."Parte do eleitorado votou nele por ser um nome antissistema, e isso se reflete na comunicação, mas é inevitável que haja conflito com o Congresso", projeta o pesquisador. Para ele, o presidente eleito terá dificuldades caso superestime a fala nas redes e deixe de lado a interlocução com o Legislativo. "Sem diálogo, não há coalização", acrescenta Monte. "E isso exige compartilhamento de poder e de cargos. Ele não pode chamar o PP para ser aliado se não dividir espaços de poder. É assim que funciona." Segundo o analista, todavia, é possível que o próprio sistema passe por um rearranjo, já que, "pela primeira vez, um presidente foi eleito justamente por criticar esse modelo" (presidencialismo de coalização).
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